A Reforma Tributária foi apresentada com a promessa de simplificar o sistema brasileiro, reduzir a burocracia e criar um ambiente mais competitivo. No entanto, muitos empresários já perceberam que a simplificação não significa necessariamente redução da carga tributária. Pelo contrário: em alguns casos, ela pode gerar um aumento considerável de impostos.
O que significa “imposto simplificado”?
Com a criação da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), o Brasil substitui PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois tributos de base ampla, com regras uniformes e cobrança em cada etapa da cadeia produtiva.
Essa uniformização traz clareza e facilita a apuração. Mas, ao mesmo tempo, elimina regimes diferenciados e benefícios setoriais que hoje reduzem a carga de muitos segmentos da economia.
Por que muitas empresas vão pagar mais?
- Fim de benefícios fiscais e regimes especiais
Setores como o de serviços, educação, saúde e agronegócio eram beneficiados com alíquotas reduzidas ou cumulatividade parcial. Com a Reforma, grande parte desses benefícios deixa de existir, o que aumenta a carga efetiva. - Alíquotas uniformes e mais elevadas
A estimativa oficial é que a soma das alíquotas do CBS e IBS fique próxima de 26% a 27%. Mesmo que haja compensação via crédito, empresas com baixa possibilidade de aproveitamento (exemplo: prestadoras de serviços com alto gasto em mão de obra e pouco insumo tributável) acabam pagando mais. - Neutralidade na arrecadação para o governo, não para o empresário
O princípio da Reforma é que o governo arrecade o mesmo ou mais, redistribuindo o peso entre setores. Assim, quem antes era beneficiado passa a contribuir em maior proporção. - Complexidade ainda existente
Apesar da promessa de simplificação, a transição até 2033 será marcada por convivência entre o sistema antigo e o novo. Isso exige dupla apuração, ajustes de sistemas e maior custo de compliance.
Como explicar isso ao cliente?
A ideia central é:
- Simplificação não significa redução. O governo busca tornar a cobrança mais clara e previsível, mas precisa manter (ou ampliar) sua arrecadação.
- Empresas de setores antes beneficiados pagarão mais, pois a alíquota será única e elevada.
- Quem mais consome insumos tributados terá vantagem com créditos. Quem depende de mão de obra, dificilmente conseguirá compensar.
Um exemplo prático ajuda:
👉 Uma escola paga hoje cerca de 3,65% de PIS/Cofins. Com a CBS, poderá pagar até 12%. Mesmo com créditos, sua carga será maior, já que não tem insumos suficientes para compensar.
O que as empresas podem fazer?
- Rever o planejamento tributário: entender o impacto das novas regras em sua operação.
- Simular cenários: calcular como ficará a carga com a CBS/IBS e com o fim de benefícios.
- Buscar alternativas jurídicas: verificar regimes transitórios ou hipóteses de judicialização de pontos polêmicos.
- Investir em compliance e tecnologia: a apuração será mais rigorosa e o Fisco terá maior integração de dados.
Explicar ao cliente que os impostos “simplificados” não significam necessariamente pagar menos é essencial para ajustar expectativas. A simplificação é um ganho no processo, mas a carga tributária pode crescer em muitos casos, especialmente nos setores de serviços.
A palavra-chave aqui é preparação: quanto antes a empresa entender o impacto da Reforma, mais chances terá de minimizar custos, ajustar preços e manter sua competitividade.
👉 Prepare-se para o impacto da Reforma Tributária!
Os impostos “simplificados” podem representar um aumento expressivo de custos para sua empresa. Não espere a mudança chegar para entender como ela afetará o seu negócio.
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