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2026 começou diferente: CBS e IBS já estão mudando o jogo tributário das empresas

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Depois de mais de 40 anos lidando diariamente com o Fisco, posso dizer sem rodeios: A entrada em vigor da CBS e do IBS não é um detalhe técnico, é um divisor de águas para as empresas brasileiras.
E 2026 deixou isso muito claro.

Desde 1º de janeiro deste ano, o novo modelo de tributação sobre o consumo passou a valer. Na teoria, fala-se em transição. Na prática, o impacto já chegou ao caixa, aos contratos e à tomada de decisões. Quem se preparou, ganhou previsibilidade. Quem adiou, já sente o peso.

Este não é um texto para explicar lei como se fosse manual.
É um alerta. Porque o maior risco da CBS e do IBS em 2026 não está na alíquota, mas na falsa sensação de que “ainda dá para esperar”.

O que Realmente Mudou com a CBS e o IBS em 2026

O Brasil passou a operar, oficialmente, com um IVA dual, formado por dois tributos:

  • A CBS, de competência federal;
  • E o IBS, compartilhado entre estados e municípios.

Eles substituem, de forma gradual, tributos conhecidos como PIS, Cofins, ICMS e ISS. Mas aqui está o ponto que muitos ignoraram: O fato de a transição ser gradual não significa que o impacto seja irrelevante.

Em 2026, as regras já estão postas. E quem não se adaptou começou a perceber inconsistências, glosas de crédito, aumento de carga efetiva e problemas de precificação.

Como o Novo Modelo Funciona na Vida Real da Empresa

O discurso técnico fala em simplicidade. A realidade exige maturidade.

O novo sistema se sustenta em três pilares centrais.

O primeiro é a não cumulatividade plena. Em tese, paga-se imposto apenas sobre o valor efetivamente agregado, com direito a crédito financeiro amplo.
O segundo é a dependência da conformidade. O crédito só existe se a operação anterior estiver correta. Quando o fornecedor falha, o risco escorre para quem compra.
O terceiro é uma prometida neutralidade que, na prática, não se comporta da mesma forma para todos os setores.

É aqui que faço um alerta direto:
CBS e IBS não são apenas tributos novos. São um novo modelo de governança tributária.

O Ano Começou Agora, e o Erro é Achar que Ainda dá Para Esperar

Embora o calendário marque apenas o início de 2026, um equívoco já se repete com frequência preocupante: muitos empresários acreditam que ainda é cedo para se preocupar com a CBS e o IBS.

A sensação é compreensível. O ano mal começou, a transição foi anunciada como gradual e o discurso público sugere que “há tempo”. Mas a prática mostra outra coisa. O sistema já está rodando, os fatos geradores já ocorreram e as decisões tomadas agora, ou adiadas, vão definir como a empresa chegará ao fim do ano.

O problema não está em errar no começo. Está em postergar ajustes que deveriam ser feitos enquanto ainda há margem de manobra. Quando contratos seguem sem revisão, preços permanecem ancorados no modelo antigo e fornecedores continuam sendo escolhidos sem critério de conformidade, o impacto não aparece de uma vez. Ele se acumula.

É assim que surgem, já nos primeiros meses, os sinais de alerta: créditos que não se confirmam, custos que sobem sem explicação clara e margens que começam a encolher de forma quase imperceptível.

Depois de mais de quatro décadas acompanhando ciclos tributários, posso afirmar com segurança: O início do ano é o melhor momento para corrigir rota. Quem espera “o sistema amadurecer” costuma descobrir tarde demais que o custo da espera foi alto demais.

Um Exemplo Simples, Mas Muito Comum

Imagine uma empresa de serviços bem estruturada, com bom faturamento, mas que:

  • Compra poucos insumos tributados;
  • Tem alta folha de pagamento;
  • Atua com contratos de médio ou longo prazo.

No sistema antigo, ela conseguia equilibrar as contas.
No novo modelo, Ela recolhe CBS e IBS sem gerar crédito suficiente para compensar.

O efeito não vem como um choque imediato. Ele aparece mês a mês, corroendo margem, pressionando o caixa e aumentando o risco operacional. É exatamente isso que muitas empresas estão começando a sentir em 2026.

O que Precisa ser Feito Agora, sem Pânico e sem Improviso

Se eu pudesse resumir minha orientação prática em 5 pontos, seriam estes:

  1. Revisar a cadeia de fornecedores
    Crédito agora depende de conformidade.
  2. Revisar contratos em vigor
    Especialmente os de médio e longo prazo.
  3. Rever precificação com base no novo IVA
    Não existe “preço antigo” com tributo novo.
  4. Alinhar contador, jurídico e gestão
    CBS e IBS não são só tema contábil.
  5. Criar governança tributária mínima
    Sem isso, 2027 será ainda mais duro.

Perguntas que mais escuto sobre CBS e IBS em 2026

A CBS e o IBS já estão sendo cobrados?
Sim. A incidência começou em 1º de janeiro de 2026, mesmo dentro da transição.

Posso ignorar 2026 e pensar nisso só depois?
Pode, mas vai pagar mais caro agora e chegar mais frágil nos próximos anos.

Todo crédito será aceito automaticamente?
Não. O crédito depende da regularidade e da correta classificação da operação.

Empresas de serviço sentem mais o impacto?
Em muitos casos, sim, especialmente as intensivas em mão de obra.

Isso é apenas um tema contábil?
Não. É estratégico, contratual e financeiro.

Conclusão: 2026 Separa Quem Governa Tributos de Quem Corre Atrás do Prejuízo

Ao longo da minha trajetória, vi empresas quebrarem não por falta de faturamento, mas por decisões tributárias mal compreendidas.

A CBS e o IBS exigem postura ativa, leitura estratégica e decisões conscientes.
Quem trata o tema como detalhe técnico começa a sentir o impacto agora.
Quem trata como governança atravessa a transição com mais segurança.

Quer entender como a CBS e o IBS afetam o seu negócio, na prática?

Se você é empresário, contador ou gestor público e percebe que o novo sistema está confuso, pesado ou mal dimensionado, minha equipe e eu podemos ajudar.

Entre em contato para uma análise estratégica da sua operação à luz da CBS e do IBS.
Às vezes, um ajuste feito no começo de 2026 evita anos de prejuízo silencioso.

Dr. Juvenil Alves
Advogado tributarista há mais de 40 anos. Pioneiro em recuperação de tributos no Brasil. Autor e palestrante em Reforma Tributária, ESG e psicanálise do empresário.

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