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Do Campo ao Céu: A Incrível História de Shin Kyuk-ho, o Agricultor que Construiu o Império Lotte e a Torre Mais Alta da Coreia do Sul

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Olá, leitores do blog! Hoje, eu quero compartilhar com vocês uma história inspiradora que parece saída de um filme de superação. Imaginem um jovem nascido em uma família pobre de agricultores no interior da Coreia, durante o período colonial japonês, que, com determinação e visão empreendedora, constrói um conglomerado multinacional e ergue um dos prédios mais altos do mundo: a Lotte World Tower, em Seul. Essa é a trajetória de Shin Kyuk-ho, fundador do Grupo Lotte. Para nós, brasileiros, que valorizamos histórias de quem sai do nada e conquista o mundo – como as de empreendedores que começam vendendo na rua e viram donos de impérios –, essa narrativa é um exemplo perfeito de resiliência e inovação. Vamos mergulhar nessa jornada completa, do campo aos arranha-céus, e ver como um “fazendeiro” transformou chicletes em torres icônicas.


As Origens Humildes: De uma Vila Rural na Coreia para o Desafio no Japão


Shin Kyuk-ho, também conhecido como Takeo Shigemitsu no Japão, nasceu em 4 de outubro de 1921 (ou 1922, dependendo do calendário lunar) em Dungi-ri, uma pequena vila rural em Ulsan, no sudeste da Coreia do Sul. Naquela época, a Coreia era uma colônia do Japão, e a vida era dura. Ele era o filho mais velho de uma família de agricultores com 10 irmãos, vivendo em uma casa simples onde a terra mal dava para sustentar todos. Shin cresceu ajudando nos campos, lidando com a pobreza e as limitações de uma vida camponesa. Mas ele sonhava grande. Aos 20 anos, em 1941 ou 1942, decidiu deixar tudo para trás e buscar oportunidades no Japão, o “centro” do império colonial.

Shin Kyuk-ho, ainda jovem: foco, disciplina e a visão que daria origem a um dos maiores conglomerados da Ásia.


Sem dinheiro ou contatos, Shin embarcou como clandestino em um navio, com apenas 80 ou 83 ienes no bolso – o equivalente a uns 850 wons coreanos atuais, ou algo como R$ 3,50 na cotação de hoje. Chegando a Tóquio no pós-Segunda Guerra Mundial, ele enfrentou a devastação: cidades bombardeadas, escassez de comida e um país em reconstrução. Para sobreviver, pegou qualquer trabalho, entregador de leite, jornaleiro, até jóquei em um haras provincial. Ao mesmo tempo, estudava química na prestigiada Universidade Waseda, equilibrando estudos e empregos precários.


Aqui já vemos o espírito empreendedor de Shin: ele não esperava por oportunidades; criava-as. Em 1942, com um empréstimo de 60 mil ienes, abriu uma fábrica de panelas de arroz em Tóquio. Mas o destino testou sua resiliência, a fábrica foi destruída por um bombardeio aéreo durante a guerra. Em vez de desistir, ele pegou outro empréstimo e pivotou para produzir sabonetes e cremes faciais, que se tornaram um sucesso e ajudaram a quitar as dívidas. Para brasileiros, isso lembra aqueles empreendedores que começam com uma barraquinha de pastel e, após um revés, mudam para algo mais lucrativo, como uma rede de lanchonetes.


O Nascimento da Lotte: De Chicletes para um Império Doce


Inspirado pela popularidade dos chicletes trazidos pelas tropas americanas no Japão pós-guerra, Shin viu uma oportunidade. Em junho de 1948, fundou a Lotte em Tóquio, com apenas 10 funcionários e um capital inicial de 1 milhão de ienes. Os primeiros produtos foram gomas de mascar como Cowboy e Mable Gum, vendidas para crianças em um país faminto por doces e alegria. O nome “Lotte” veio de Charlotte, a personagem do romance “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, de Goethe, uma escolha literária que Shin considerava “a melhor da minha vida”.


A empresa cresceu rápido no Japão, expandindo para chocolates, bebidas e outros doces. Mas Shin não parou por aí. Em 1967, ele levou a Lotte de volta à Coreia do Sul, fundando a Lotte Confectionery. Foi o início de uma diversificação impressionante: hotéis, lojas de departamento (como a Lotte Department Store, aberta em 1979), parques de diversão (o famoso Lotte World), equipes esportivas (como o time de beisebol Chiba Lotte Marines), indústrias petroquímicas (Lotte Chemical) e até finanças. Hoje, o Grupo Lotte é um chaebol (conglomerado coreano) com mais de 90 unidades de negócios, empregando cerca de 60 mil pessoas em todo o mundo, e presença em setores como varejo, turismo, entretenimento e química.


Shin transformou a Lotte no quinto maior conglomerado da Coreia do Sul, contribuindo para a economia do país em áreas como saúde, esportes e inovação. É como se um agricultor brasileiro começasse vendendo balas na rua e acabasse dono de uma rede como o Magazine Luiza ou o Grupo Pão de Açúcar, mas em escala global.


O Pináculo: Como Shin Kyuk-ho Construiu a Lotte World Tower


Agora, vamos ao que vocês estavam esperando: como esse agricultor ergueu a Lotte World Tower, um símbolo de Seul e o sexto prédio mais alto do mundo, com 555 metros e 123 andares. A torre, inaugurada em 2017, é parte do complexo Lotte World, que inclui shopping, hotel, observatório e até um aquário. Mas sua construção reflete a visão de Shin de deixar um legado duradouro.

Lotte World Tower, em Seul: 555 metros de engenharia e elegância, um dos arranha-céus mais altos do mundo e ícone da Coreia do Sul.

A ideia surgiu nos anos 1980, quando Shin expandia o Lotte World como um parque temático. Mas o projeto da torre ganhou forma nos anos 2000, com o Grupo Lotte atuando como desenvolvedor principal através da subsidiária Lotte Engineering & Construction. A construção começou em 2011 e durou cerca de 6 anos, custando aproximadamente 3,8 trilhões de wons sul-coreanos (uns 3,1 bilhões de dólares na época). O financiamento veio majoritariamente do próprio grupo, sem detalhes públicos sobre investidores externos, mostrando a solidez financeira construída por Shin.


Desafios não faltaram: multas por impactos no tráfego (como uma de 6,4 bilhões de wons confirmada pela Suprema Corte coreana) e controvérsias ambientais. Mas Shin, já idoso, supervisionou o projeto como um sonho realizado, de um agricultor plantando sementes no campo para “plantar” uma torre no céu de Seul. Hoje, a torre vale mais de 6 trilhões de wons e simboliza o “milagre econômico coreano”, do qual Shin foi protagonista.


Filantropia, Controvérsias e Legado


Shin não era só negócios. Em 1983, criou a Lotte Scholarship Foundation para bolsas de estudo, e em 1994, a Lotte Welfare Foundation para ações sociais. Ele promovia festas anuais para idosos em Ulsan por 43 anos, mostrando raízes no campo. No entanto, nos anos finais, enfrentou brigas familiares pela sucessão entre filhos e um escândalo de corrupção em 2017, com uma sentença de prisão por desvio de fundos (que não cumpriu devido à saúde).

Shin Kyuk-ho, fundador do Grupo Lotte, em seus últimos anos: a figura central de um império que moldou a economia sul-coreana.


Shin faleceu em 19 de janeiro de 2020, aos 98 anos, em Seul, após doenças crônicas. Seu legado? Um império que prova que, com persistência, um agricultor pode tocar o céu. Para nós, brasileiros, é um lembrete: não importa o solo onde você planta, o que conta é a semente da ambição.


E aí, o que achou dessa história? Deixe nos comentários se você conhece exemplos semelhantes no Brasil. Até a próxima!

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