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Irracionalidade Lucrativa: Como a Economia Comportamental Revela os Vieses que Custam Caro ao Empresário Brasileiro

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Resumo Executivo 
A economia comportamental não é apenas teoria acadêmica: é o espelho cruel que mostra por que tomamos decisões ruins mesmo quando achamos que estamos sendo racionais. No Brasil, onde a insegurança jurídica já é um fardo diário, esses vieses mentais amplificam erros que destroem patrimônio. Entender isso muda tudo.

Você já perdeu dinheiro por pura teimosia disfarçada de convicção? 

Eu vejo isso todos os dias.

Em mais de 40 anos de advocacia tributária e empresarial, acompanhei empresários brilhantes, alguns com faturamento de nove dígitos, tomarem decisões que qualquer estagiário evitaria, simplesmente porque o cérebro humano é programado para se enganar. Recentemente li uma análise profunda no New York Times que me fez parar e pensar: a economia comportamental, que ganhou Nobel com Daniel Kahneman, virou quase uma religião nos Estados Unidos. Mas aqui no Brasil ela deveria ser disciplina obrigatória nas faculdades de administração.

Porque, convenhamos: de que adianta dominar balanço patrimonial, fluxo de caixa e valuation se, na hora da decisão crítica, quem manda é um macaco assustado dentro da sua cabeça?

 O Problema que Ninguém Quer Admitir

O ser humano não é racional. Ponto final.

Kahneman e Tversky provaram isso há décadas, e Thaler levou o Nobel em 2017 confirmando: nossas escolhas seguem padrões previsíveis de irracionalidade. O problema é que, no mundo empresarial brasileiro, esses padrões se misturam com a nossa já conhecida insegurança jurídica e criam uma combinação letal.

Tomei conhecimento, há poucos meses, de um empresário do interior de São Paulo, setor de logística, que rejeitou uma oferta de R$ 18 milhões por 22% da empresa porque a rodada anterior havia sido precificada em R$ 2 milhões por 8%. O primeiro investidor virou âncora. Qualquer coisa abaixo parecia insulto. Resultado? Dois anos depois a empresa fechou as portas. O mesmo padrão que vejo repetidas vezes em execuções fiscais: o contribuinte segura uma tese frágil até o fim só para “não dar o braço a torcer”.

 Quando o Cérebro Sabota o Patrimônio

Em minhas palestras pelo país, sempre pergunto: quem aqui já manteve um sócio tóxico na empresa por puro apego emocional? Metade da plateia levanta a mão. Isso é loss aversion em estado puro, perder dói duas vezes mais do que ganhar alegra. Já vi holdings familiares segurarem imóveis improdutivos durante décadas porque “foi o pai que conquistou”. O custo de oportunidade? Milionário.

Outro caso que chegou ao meu conhecimento: empresa de tecnologia que queimou R$ 11 milhões desenvolvendo uma funcionalidade que o mercado nunca pediu. Confirmation bias clássico, o fundador só ouvia clientes que confirmavam sua visão. Quando apresentaram os números reais de adoção, já era tarde. O mesmo viés que faz empresários contestarem autuações fiscais claramente legítimas só porque “o Fisco está errado por princípio”.

 A Ilusão do Controle no Meio do Caos Brasileiro

No Brasil, temos um agravante que os estudos americanos não contemplam: vivemos num ambiente de regras que mudam toda hora. Quando o Judiciário inclina-se quase sempre para o Fisco, como venho observando há quatro décadas, o overconfidence vira arma de destruição em massa.

Lembro de um empresário paranaense que, em 2019, decidiu brigar até o STF contra uma autuação de ICMS que qualquer tributarista experiente sabia que perderia. Gastou quase R$ 4 milhões em honorários e custas. Perdeu em todas as instâncias. Hoje a empresa está em recuperação judicial. Ele me disse, com todas as letras: “Eu sabia que ia perder, mas não aceitava a injustiça”. Orgulho é o imposto mais caro que existe.

 A Armadilha do Sunk Cost em Tempos de Reforma Tributária

Com a EC 132/2023 em vigor e a transição para IBS e CBS já correndo, vejo outro padrão perigoso: empresários mantendo Estruturas societárias obsoletas só porque “já investimos tanto nisso”. Sunk cost fallacy puro.

Chegou ao meu conhecimento o caso de uma holding familiar no Rio Grande do Sul que recusou reestruturar o grupo em 2024 porque “o planejamento anterior custou R$ 800 mil em honorários”. Preferiram pagar a mais em tributos durante a transição do que admitir que o modelo antigo morreu. Como Salomão advertia, o tolo gasta tudo de uma vez; o sábio provisiona para o futuro.

 Como Se Proteger da Própria Mente

Em meus 40 anos de atuação, e sendo recordista brasileiro em número de ações tributárias ajuizadas, desenvolvi alguns antídotos que funcionam:

Primeiro, institua o “advogado do diabo” remunerado. Pague alguém (pode ser um conselheiro externo) para ganhar bônus toda vez que provar que você está errado. Parece loucura? Funciona.

Segundo, antes de qualquer decisão acima de R$ 500 mil, escreva num papel: “Que viés Kahneman está me dominando agora?” A simples escrita já reduz o impacto.

Terceiro, crie um comitê de decisões críticas com número ímpar de votos e pelo menos uma pessoa de fora da empresa. A multidão de conselhos, como ensina a sabedoria antiga, traz segurança.

 Uma Reflexão Mais Profunda

Aristóteles dizia que somos o que repetidamente fazemos. A excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito. No Brasil tributário, onde o contribuinte vive em constante Insegurança jurídica, a excelência exige algo mais: a humildade de reconhecer que nosso maior inimigo muitas vezes somos nós mesmos.

Como ex-deputado federal, vi de perto como leis são feitas às pressas e sem técnica. Como advogado, vejo diariamente como essas leis malfeitas encontram um Judiciário que raramente equilibra a balança. E como ser humano , e estudante de psicanálise que sou, sei que nossa mente adora nos trair exatamente quando mais precisamos dela.

 Conclusão

A economia comportamental não é moda passageira. É o mapa que mostra onde estão as minas que nós mesmos plantamos.

O empresário brasileiro já luta contra um sistema que presume sua culpa, contra leis que mudam a cada semestre, contra um Judiciário que raramente o protege. Não pode, em nome do ego ou do orgulho, lutar também contra a própria mente.

Se este texto fez algum sentido para você, se identificou algum viés que já custou caro no seu negócio, estou à disposição para conversar. Às vezes, basta uma visão externa para desarmar a armadilha que construímos sozinhos. Vamos trocar uma ideia? Entre em contato.

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